Dia do Lixo??

April 15, 2018

 

Antes de tratar este tema do ponto de vista nutricional, gostaria de mudar a escrita do termo “dia do lixo” para “refeição livre” durante todo texto a seguir, afinal, no país onde possui mais de 10,4 milhões de indivíduos em extrema pobreza, chamar alimento de lixo é algo inaceitável.

A “refeição livre” consiste em realizar refeições com alimentos de sua escolha sem critério de peso ou medida. Muitos atletas de fisiculturismo, submetidos a dietas restritivas e extremamente balanceada por longo período de tempo, permitem-se, uma vez na semana, “sair” da dieta.

Esta estratégia também é amplamente utilizada em outras modalidades esportivas com o intuito de “premiar” o atleta com alimentos de sua preferência após seguir com precisão o plano alimentar restrito. “Prêmio” este, que pode inclusive beneficiar o atleta do ponto de vista emocional, aliviando o habitual stress pré competição.

Porém, no dia a dia, observo muitas pessoas “comuns” (empresários, estudantes, etc.) “copiarem” (natural da cultura do brasileiro) estratégias nutricionais realizadas por atletas de ponta, em especial fisiculturistas. Talvez, esta cópia seja por acreditarem (sabe de nada inocente) que esta estratégia funcione para todos e sem critério.

Também é comum depararmos com “posts” em rede sociais de “especialistas” da nutrição, defendendo tal prática com unhas e dentes, mencionando os benefícios de “quebrar a homeostase” do organismo, acelerando o metabolismo e potencializando a síntese hormonal (tireoide por exemplo) mediante o consumo de refeições livres, sem critério de peso e qualidade.

Pizza, feijoada, doces, frituras, chocolates, sorvetes e todas as guloseimas que se pode imaginar são “liberadas” por “especialistas” uma vez na semana, afinal é o “dia ou refeição livre”. Assim, de acordo com esta teoria, você se submete a seguir uma dieta restrita como a do Rambo (aquele mesmo) durante a semana e, no final dela poderá comer até o pé da mesa!

A teoria é linda, porém a prática nem tanto. De acordo com observações e experiência clínica de consultório, posso afirmar que esta estratégia está sendo mal interpretada em alguns pontos que tentarei enumerar a seguir:

  1. De fato a oscilação calórica pode ser benéfica para acelerar o metabolismo e propiciar a síntese hormonal em pacientes submetidos à dietas restritivas, porém quem disse que esta oscilação deve ser proveniente de alimentos com calorias vazias como açúcares por exemplo? Poderíamos ocasionar tal oscilação e maiores benefícios realizando “refeições livres” quanto às medidas e não quanto à qualidade dos alimentos. Por exemplo: Se você come 100g. de batata doce com 150g. de frango no almoço, na refeição livre coma os mesmos alimentos sem pesar!

  2. Celebridades virtuais divulgam o que come, a forma que treina, porém, divulga-se o que se “toma”? Uma coisa é metabolizar alimentos com a produção natural de testosterona outra coisa é metabolizar os mesmos se entupindo de drogas sem prescrição médica.

  3. Não adianta você copiar a estratégia do atleta de fisiculturismo “pica da galáxia”, este esporte não é para qualquer um. Entre outros fatores, envolve genética e isto você não pode comprar na prateleira do supermercado. Pouco do que ele faz, poderá ser aplicado por você (aceite que dói menos).

  4. Quanto ao fator sensorial, emocional e de bem-estar. O atleta de ponta submete-se a dietas restritivas por longo período de tempo por possuir propósito maior: determinada competição, por exemplo. E você? Sua dieta está sofrida, levando você ao limite de sua saúde física e mental? Se sim, posso garantir: sua estratégia está errada.

  5. Por fim, gostaria de salientar que esta prática tem levado indivíduos sadios a desenvolverem sérios transtornos alimentares, em especial a compulsão alimentar seguida de ação compensatória (vai me dizer que não conhece ninguém que come feito um cavalo e se mata no aeróbio no dia seguinte?). Existem diversos estudos atestando a maior incidência de transtornos alimentares em atletas quando comparado à população em geral.

Leitores, o “terrorismo nutricional” que está sendo disseminado no meio esportivo tem propiciado apenas uma coisa: levar indivíduos “do nada” para o “lugar algum”. Consulte sempre o profissional nutricionista para elaborar seu plano alimentar e ajustar sua dieta aos seus anseios, com ou sem refeições livres!

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