Tríade da Mulher Atleta

August 24, 2018

 

 

 

    Nos últimos 40 anos, o número de mulheres praticantes de atividade física aumentou em todo o mundo. Através desta prática, muitas mulheres relataram melhoras no humor, bem estar, auto estima, condicionamento físico e até mesmo desempenho no trabalho.

    De lá para cá, muitos estudos apontaram os benefícios da inclusão da atividade física na rotina das mulheres e também, cuidados a serem tomados evitando riscos à saúde. Em 1997, o Colégio Americano de Medicina Esportiva (ACSM) identificou e estabeleceu condutas para evitar patologias emergentes em atletas do sexo feminino: a “tríade da mulher atleta”.

    Após 10 anos, foram estabelecidas de forma mais ordenada as condições para identificação da tríade, bem como o entendimento sobre a mesma: 1) baixa disponibilidade de energia (com ou sem transtorno alimentar) ; 2) disfunção menstrual; 3) baixa densidade mineral óssea.

  1. Baixa disponibilidade de energia: Matemática simples, ou seja, o indivíduo ingere calorias incompatíveis (menos) com as atividades diárias da vida, funções corporais e atividade física. A baixa e/ou incompatível ingestão de calorias pode ser decorrente da má informação do atleta ou de forma intencional (com a intenção de perder peso por exemplo) e associada ou não a métodos purgativos como ingestão de laxantes e diuréticos. As consequências relatadas desta prática a curto, médio e longo prazo são: baixa estima, depressão, ansiedade, padrão inadequado do sono e baixo desempenho esportivo.

  2. A disfunção menstrual é vista por muitos como algo “natural” em mulheres atletas com baixo percentual de gordura, porém, não há qualquer relação entre ela e o ótimo desempenho esportivo. Dentre os problemas mais comuns decorrentes da ausência do ciclo menstrual podemos citar o comprometimento do endotélio e infertilidade. O acompanhamento médico pode proporcionar à atleta ótimo desempenho esportivo ao passo que mantém suas funções fisiológicas normais, evitando assim, qualquer tipo de prejuízo à saúde.

  3. A baixa densidade mineral óssea pode acarretar osteopenia e osteoporose (comum em idosos) em mulheres jovens praticantes de atividade física intensa. Ela pode ser reflexo de inúmeros fatores como a ausência do ciclo menstrual, estado nutricional e genética. A atenção médica e nutricional (principalmente suporte vitamínico e mineral adequado), são fundamentais para a manutenção da saúde óssea e prevenção de patologias a médio e longo prazo em mulheres atletas.

 

     A identificação precoce de sinais e sintomas, bem como a intervenção nutricional e médica imediata é de fundamental importância para que o tratamento seja efetivo. Existem diversos protocolos e questionários para auxiliar na identificação da tríade da mulher atleta, porém a observação criteriosa em sinais clínicos e interpretação de exames laboratoriais demonstram ser as melhores ferramentas para identificação e cuidado desta patologia.

    Com os devidos cuidados, a mulher pode ter ótimo desempenho esportivo, usufruindo dos inúmeros benefícios da prática da atividade física, sem colocar em risco sua saúde física e mental.       Para tanto, o profissional da área da saúde, na qual realiza acompanhamento nutricional esportivo, deve estar habilitado a prevenir e identificar quaisquer intercorrências decorrentes do esporte.

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